Manual definitivo do cuidado capilar: tudo o que você precisa saber sobre porosidade, frizz e cronograma capilar
- Thayane Lemos
- 14 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
O cabelo, assim como a pele, tem necessidades próprias que variam de pessoa para pessoa. Fatores como genética, rotina de cuidados, hábitos diários e até o clima influenciam diretamente na saúde e aparência dos fios. Hoje, vamos explorar três temas que geram muitas dúvidas: porosidade, frizz e cronograma capilar — e como o tipo de cabelo pode influenciar cada um deles.

1. Porosidade capilar: o que é e por que importa
A porosidade é a capacidade do fio de absorver e reter água e nutrientes. Ela é determinada principalmente pela integridade da cutícula, que é a camada mais externa do cabelo.
Baixa porosidade → Cutículas bem seladas, alinhadas; o fio absorve produtos mais lentamente, mas retém melhor a hidratação. Geralmente visto em cabelos virgens ou pouco processados.
Porosidade média → Equilíbrio entre absorção e retenção; responde bem à maioria dos tratamentos.
Alta porosidade → Cutículas muito abertas, o que facilita a entrada de nutrientes, mas dificulta a retenção. É comum em cabelos danificados por química, calor excessivo ou agressões ambientais. Portanto, estes fios possuem maior suscetibilidade à quebra, frizz, embaraço e desbotamento da cor.
Fatores que influenciam a porosidade capilar:
Estrutura do fio (fatores genéticos)
Cabelos naturalmente cacheados ou crespos apresentam cutículas menos sobrepostas e maior irregularidade no diâmetro, favorecendo maior porosidade natural.
Exposição química e física
Processos como descoloração, tintura, alisamento, relaxamento e exposição excessiva ao calor ou radiação UV danificam a cutícula e a camada de lipídios (18-MEA), aumentando a porosidade.
Processos fisiopatológicos
Algumas doenças do couro cabeludo e do fio (p. ex., alopecia cicatricial, tricotilomania, moniletrix) podem alterar a estrutura e permeabilidade.
Como melhorar:
Evitar procedimentos agressivos consecutivos.
Usar proteção térmica antes de secador, chapinha ou modelador.
Apostar em tratamentos que repõem lipídios e proteínas para reconstruir a cutícula.
2. Frizz: não é só estética, é sinal do estado do fio
O frizz é um fenômeno visual e tátil caracterizado por fios desalinhados em relação ao restante do cabelo, geralmente mais "arrepiados", que se projetam para fora do comprimento principal. Ele resulta de irregularidades estruturais na fibra capilar e interação do fio com a umidade ambiental por excesso ou falta de água, danos estruturais ou eletricidade estática.
Pode ser consequência de alta porosidade, clima úmido, ressecamento ou até da forma natural do cabelo (cabelos mais cacheados e crespos tendem a ter mais frizz devido à distribuição desigual da oleosidade natural).
Fatores desencadeantes
Umidade ambiental → causa absorção desigual de água, levando a variação no diâmetro e formato do fio.
Processos químicos (descoloração, coloração, alisamento) → degradam proteínas e lipídios estruturais (especialmente 18-MEA), abrindo cutículas.
Calor excessivo (secador, prancha) → desnatura proteínas e remove lipídios superficiais.
Atrito mecânico (toalha, escovação agressiva, travesseiro áspero).
Fatores intrínsecos → cabelos cacheados ou crespos têm predisposição maior devido à distribuição irregular de queratina e ângulos de curvatura.
Como controlar:
Manter a hidratação interna do fio.
Evitar fricção excessiva (secagem agressiva com toalha, travesseiros sem fronha de cetim).
Selar a cutícula com finalizadores que contenham silicones leves ou óleos vegetais.
3. Tipos de cabelo e como eles influenciam porosidade e frizz
Cada formato de fio influencia diretamente na distribuição de oleosidade, na tendência ao frizz e na porosidade natural:
Lisos → Oleosidade natural se distribui mais facilmente, tendendo a baixa porosidade. Pouco frizz, mas propensão à oleosidade excessiva.
Ondulados → Tendem à porosidade média; podem ter frizz moderado, especialmente em clima úmido.
Cacheados → Curvatura dificulta a distribuição da oleosidade natural, aumentando a tendência ao ressecamento, frizz e alta porosidade.
Crespos → Cutícula naturalmente mais aberta, alta porosidade e maior necessidade de nutrição lipídica para controle de frizz e retenção de hidratação.
4. Cronograma capilar: mitos e verdades
O cronograma capilar é um método de cuidados que alterna hidratação, nutrição e reconstrução para manter o equilíbrio hídrico, lipídico e proteico do fio.
No entanto, não é obrigatório seguir uma tabela fixa para ter cabelos saudáveis.💡
Cada fio tem necessidades próprias, e o excesso de um nutriente (como proteínas em excesso) pode causar rigidez e quebra, assim como excesso de óleos pode deixar o cabelo pesado e sem brilho.
Como fazer da forma certa:
Observe o comportamento do cabelo:
Ressecado e áspero → invista em hidratação.
Sem brilho e com frizz → priorize nutrição.
Quebradiço e frágil → foque em reconstrução.
Ajuste a frequência de cada etapa conforme a resposta do fio. Realizar uma destas etapas uma vez por semana ou a cada quinze dias é, em geral, suficiente para ter cabelos saudáveis.
Conclusão
Cuidar dos cabelos não é sobre seguir regras rígidas, mas sobre entender o que eles realmente precisam. Avaliar porosidade, observar sinais como frizz e respeitar as características do seu tipo de cabelo é o caminho para fios mais saudáveis, bonitos e alinhados à sua rotina.
Com informação de qualidade e pequenas adaptações no dia a dia, é possível conquistar cabelos mais fortes, brilhantes e naturalmente bonitos, sem exageros ou modismos.



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